05 abril 2011

SOU UMA ÁRVORE - Poema de afonso rocha























Sou uma árvore

Sou uma árvore
onde os ramos se debruçam
para lamber o chão de lama...
as serpentes fazem ninho
e as centopeias gritam
meu nome

As raízes alicerçadas
no genesis do saber
não são mais as mesmas
tornando-se obtusas
na passagem da seiva...

...e as folhas renovadas
que despontam
como pontos de luz
logo se apagam

......................

...e o ciclo ininterrupto
que brota da Terra
em direção ao Céu...
espera ansiosamente
a nova árvore...
gerada da semente
também ela...
             gasta e parda...

                                                                afonso rocha

7 comentários:

Fátima disse...

Ah, que pena...
Se a semente fosse boa...

Quem sabe uma adubagem?

Se os ramos se debruçam
para lamber o chão de lama...
Erga a rama com uma escora!

Não deixe que serpentes façam ninhos...
E ao pé, de nobre arvore, serpenteiem.
Deixe que as centopéias esperneiem...
E gritem a vontade o seu nome.

As raízes alicerçadas
no genesis do saber
haverão de crescer em ângulo reto.

Na passagem da seiva...
Jogue adubo de afeto.
E as folhas renovadas despontarão como pontos de luz
que incendeiam
E bem clareiam.
Jamais se apagam!

E verá o ciclo que se renova,
que brota da Terra
em direção ao Céu.

E nova árvore...
gerada da semente
também ela...
viva e bela...

com carinho
e uma flor
Rosa de Fátima

Graça Pires disse...

Ser uma árvore e deixar que a seiva se propague pela terra...
Gostei muito do poema e da imagem.
Um beijo.

tigusto disse...

Quase não damos por elas mas facilmente daremos pela sua falta...
Justíssima homenagem a estas nossas aliadas.
Abraço!

tigusto disse...

Quase não damos por elas mas facilmente daremos pela sua falta! Justíssima homenagem a estas tão fiéis aliadas.

Memória de Elefante disse...

...de certa forma somos como uma árvore,
sob tempestades,solo árido ou fértil,entre as quatro estações!

Patrícia Gonçalves disse...

Sempre soube ter sido uma arvore em vidas passadas, ainda guardo as recordações da brisa e, das folhas no inverno...

bjs

C. disse...

Querido Afonso, essa ilustração está lindíssima, assim como o poema!

Nunca tinha me definido pensando em uma árvore... acho porque as vezes me sinto meio caule, nao fazendo muito parte do contexto (mas nao deixando de ser importante). Pela raiz jamais poderia começar. Mas acabar com certeza no aguardo ansiosa da próxima.

Acabei de pesquisar no Google pra conhecer a flor "dama da noite", além de linda, diz que ela nao é fedida, sinal que com essa poderíamos nos atrair com os cheiros-defeitos, talvez? Vai saber né.

Beijinho de cá!